Visto de cá e de lá, o dado revelado pela CNN Brasil soa menos como estatística e mais como aviso
73% das exportações brasileiras para a União Europeia concentram-se em apenas cinco destinos. Traduzindo do economês para o português corrente, o Brasil fala com a Europa quase sempre pelos mesmos telefones — e se um deles cair, a ligação fica muda. Alemanha, Holanda, Espanha, Itália e Bélgica funcionam como portas de entrada, hubs logísticos e políticos que filtram o acesso ao mercado europeu.
Do ponto de vista de Bruxelas, é eficiência; do de São Paulo ou Santos, é dependência disfarçada de conforto. O problema não é vender muito a poucos, é acreditar que isso basta. Num continente que hoje discute reindustrialização, autonomia estratégica e regras ambientais cada vez mais duras, concentração não é virtude, é fragilidade. Quem vive entre os dois mundos percebe o risco com nitidez: basta uma mudança regulatória, uma crise política ou um bloqueio logístico para que o fluxo se estreite rapidamente. A oportunidade está justamente onde dói — diversificar destinos, subir na cadeia de valor e usar o acordo UE-Mercosul como plataforma, não como muleta. A Europa já mudou; falta o Brasil perceber que insistir nos mesmos cinco endereços pode sair caro demais.

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