Autor: JM-Diogo

  • A liberdade sequestrada no bolso

    A liberdade sequestrada no bolso

    Carregamos no bolso uma máquina de interrupção contínua e chamamos a isso liberdade. Hoje, o problema já não está no uso individual do telemóvel: está no modelo de atenção em que passámos a viver. Um ensaio clínico publicado em fevereiro de 2025 na PNAS Nexus bloqueou por duas semanas o acesso móvel à internet em…

  • O arco de Trump e a arquitetura da vaidade imperial

    O arco de Trump e a arquitetura da vaidade imperial

    Washington discute a construção de um arco triunfal. O debate verdadeiro mede outra coisa: até que ponto uma democracia segura de si aceita transformar a memória nacional em cenografia de poder, grandiosidade e culto político. Washington discute um arco. O tema real é outro: o momento em que o poder deixa de pedir legitimidade à…

  • Coincidências de Barbacena

    Coincidências de Barbacena

    Barbacena voltou esta semana para o centro da língua portuguesa por duas vias ao mesmo tempo: a da culpa e a da memória. Quando uma universidade pede desculpas e um romance devolve rosto aos que foram reduzidos a número, o passado deixa de ser apenas história. Volta a ser uma cobrança. Na mesma semana em…

  • O silêncio de Bondi

    O silêncio de Bondi

    A manobra é simples e devastadora: muda-se o ocupante do cargo, preserva-se a máquina e empurra-se a responsabilidade para um vazio formal. O caso Pam Bondi expõe menos um escândalo isolado do que uma técnica contemporânea de poder: abrir arquivos, fechar a prestação de contas. Washington voltou a exibir um velho truque do poder moderno:…

  • Rio sem rumo

    Rio sem rumo

    Com o governo vago, o Supremo dividido e o Judiciário acumulando funções executivas, a crise deixou de ser apenas sucessória. O que está em causa é mais fundo: a capacidade de distinguir regra de arranjos, autoridade de improviso, estabilidade institucional de simples sobrevivência administrativa em tempo de disputa. Cláudio Castro renunciou ao governo do Rio…

  • Um ano sem o meu pai

    Um ano sem o meu pai

    Faz hoje um ano que o Manuel Leitão Diogo, meu pai dulcíssimo, morreu. Morreu. A formulação é simples. Quase brutal. A verdade, não. Porque o meu pai Manuel, mesmo depois de partir fisicamente continua a sustentar a minha  forma de estar no mundo. Meu pai foi para mim isso: um exemplo de pertença. Não apenas…

  • O custo da ilusão

    O custo da ilusão

    Toda a sociedade gosta de boas notícias. O problema começa quando passa a exigi-las mesmo quando os factos seguem noutra direção. Há um traço infantil na política contemporânea que se tornou perigosamente adulto: a crença de que todo desconforto coletivo pode ser amortecido por decreto, subsídio, narrativa ou truque contabilístico. Sempre que um choque chega…

  • Estrada para Pirenópolis

    Estrada para Pirenópolis

    A estrada parecia a coisa mais simples do mundo: uma superfície de asfalto, duas linhas, uma seta, um rumo. Mas a simplicidade é muitas vezes o nome provisório do abismo. Vista de perto, é apenas matéria prensada; mas vista por dentro, transforma-se em argumento. O chão diz ao homem que é possível seguir. O céu…

  • Síntese da tese

    Síntese da tese

    da Paulistaa Interlagos [ vermelho ] a cidade foi esticando em mima distância entre quem eu erae quem eu podia ser. vocêfoi o upgrade [ verde ] de confort a black,da presença certaao luxo inesperadode querer ficar. [ amarelo ] São Paulo éa pressa que ensina,a noite que lapida eo que o risco confirma [vermelho] entre…