Quanto valem os domínios AI.pt e AI.com.br?

O fundador da Crypto.com comprou o domínio AI.com por US$ 70 milhões, no maior negócio já divulgado envolvendo um nome de website. Quanto será que valem os domínios da língua portuguesa?

Noticiada pelo Financial Times, a operação que foi paga integralmente em criptomoedas tem como objetivo lançar serviços ligados a agentes pessoais de inteligência artificial. Kris Marszalek justificou o preço pelo valor estratégico do domínio num mercado em rápida consolidação, onde visibilidade, confiança e ponto de entrada contam tanto quanto tecnologia.

Se um domínio genérico como AI.com vale US$ 70 milhões, o que isso revela sobre o valor estratégico da linguagem na nova economia digital? E, sobretudo, o que essa lógica significa para países como Brasil e Portugal, que partilham uma das grandes línguas globais, mas raramente a tratam como infraestrutura tecnológica?

O facto é simples: a disputa pela inteligência artificial deixou de ser apenas técnica. Tornou-se também simbólica e territorial. Domínios não são apenas endereços; são atalhos mentais, portas de entrada, pontos de confiança num ecossistema saturado. Quem controla esses pontos organiza o fluxo — de utilizadores, de capital e de sentido.

É aqui que a pergunta “quanto vale AI.pt ou AI.com.br?” deixa de ser curiosidade especulativa e passa a ser questão estratégica.

Portugal reúne condições únicas para posicionar um projeto europeu de IA em língua portuguesa, articulando regulação, universidades, startups e mercado num espaço onde a União Europeia procura alternativas próprias. O Brasil, pela sua escala, diversidade de dados e capacidade de aplicação prática, tem potencial para transformar IA em português num ecossistema de uso massivo, com impacto direto em educação, serviços públicos, justiça, saúde e negócios.

Separados, esses ativos valem oportunidades nacionais relevantes. Articulados, podem formar uma infraestrutura atlântica de inteligência artificial em português, com capacidade de produzir tecnologia, modelos culturais e soluções exportáveis. Não se trata de competir com os grandes players globais, mas de ocupar um território próprio, onde língua, contexto e mercado jogam juntos.

A compra de AI.com não encerra possibilidades; clarifica-as. Mostra que o futuro já começou a ser precificado — e que ainda há espaço para quem entende que inteligência artificial não é só código, mas também linguagem, posição e projeto. O valor de AI.pt e AI.com.br dependerá menos do mercado e mais da ambição coletiva que formos capazes de colocar neles.

Financial Times| 11.fev.2026


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