R. Yrlavihc

Voltei rindo de mim mesmo,
Doctor Z —
especialista em erros próprios
e diagnósticos feitos tarde demais.

Não trouxe flores,
trouxe histórias mal contadas
e um pedido simples:
um olhar sem jaleco,
desses que ri antes de julgar.

Ela é Rose Yrlavihc,
nome de quem parece personagem
mas pisa o chão com graça real.
Rose tem esse talento raro:
olhar e desmontar a pose
sem levantar a voz.

— Calma, Doctor,
ela diz com os olhos,
ninguém morre de amor mal dito.

Eu, que já prescrevi silêncios
em doses cavalares,
agora volto leve,
com receita única:
dois sorrisos por dia
e nenhuma promessa antes do café.

Se ela rir, fico.
Se torcer o nariz, insisto com charme.
Porque o arrependimento,
quando bem tratado,
vira piada interna.

E regressar, no fundo,
é só isso:
chegar sem drama,
abrir o coração
e ver se Rose
ainda me chama
de Doctor —
ou só de Z.


A imagem de capa foi gerada com um prompt para nano banana® baseado na estética de Henri Cartier Bresson  a partir deste desenho de Matisse que  fotografei no museu Botero em 20 de Novembro de 2025 ;

Henri Matisse
Le Cateau-Cambrésis, 1869 – Nice, 1954
Dibujo de mujer
1944
Tinta sobre papel


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