Um ano sem o meu pai

Faz hoje um ano que o Manuel Leitão Diogo, meu pai dulcíssimo, morreu.

Morreu. A formulação é simples. Quase brutal. A verdade, não. Porque o meu pai Manuel, mesmo depois de partir fisicamente continua a sustentar a minha  forma de estar no mundo.

Meu pai foi para mim isso: um exemplo de pertença. Não apenas à família, mas à vida. Havia nele uma maneira de existir que dava ordem às coisas. Uma espécie de dignidade tranquila. Ao lado dele, o mundo parecia menos incerto. Não porque ele resolvesse tudo, mas porque a sua presença ensinava que era possível atravessar a vida com decência, firmeza e afeto.

Hoje, olhando esta fotografia, vejo mais do que um abraço entre pai e filho. Vejo uma herança moral. Vejo um homem que me antecedeu e que, de certa maneira, continua a caminhar dentro de mim. Há mortos que nos deixam apenas ausência. E há os que nos deixam forma. O meu pai deixou-me forma.

A saudade permanece. Mas também permanece a gratidão. E talvez seja isso o mais belo e o mais duro do amor: ele continua a crescer mesmo quando já não pode ser devolvido em voz alta.
Sei que a morte levou o seu corpo. Mas a vida, essa, ainda pronuncia o seu nome em mim.

Manuel Diogo. No passado, no presente e no futuro.

Falamos muito sobre ele hoje. Foi lindo!


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