Autor: JM-Diogo

  • R. Yrlavihc

    R. Yrlavihc

    Voltei rindo de mim mesmo,Doctor Z —especialista em erros própriose diagnósticos feitos tarde demais. Não trouxe flores,trouxe histórias mal contadase um pedido simples:um olhar sem jaleco,desses que ri antes de julgar. Ela é Rose Yrlavihc,nome de quem parece personagemmas pisa o chão com graça real.Rose tem esse talento raro:olhar e desmontar a posesem levantar a…

  • Aproximação a uma Geografia

    Aproximação a uma Geografia

    A Cultura Europeia tem o seu assento e base em dois poemas, da autoria de um cego, proveniente de um estranho povo; nesses dois poemas, homens atravessam o mar para vingar uma afronta familiar e um homem atravessa o mar, para regressar à sua família.  Entre estes dois textos há deuses e pessoas, guerra, amor,…

  • Café numa manhã  de sol 

    Café numa manhã  de sol 

    O dia começou suave, como um respiro. Pombas e gente sonhavam com apenas ser. Até os autocarros chegavam sem ronco, rumurosos gatos de rodas. O Porto parecia casa. A vida da gente chegava ao telefone com uma naturalidade simples. Quase tranquilidade. Ou mesmo. A Ana ligou. A Ana gosta de mim e os anos passam…

  • Até sempre princesa

    Até sempre princesa

    Cruzei-me com a Clara Pinto Correia no lançamento do meu primeiro livro, em Lisboa, no dia 8 de junho de 2013. Venci a vergonha e agradeci-lhe o “Adeus princesa” — e  tudo o que nele aprendi sobre a minha essência. Não tiramos uma foto. Convoquei esta nos meus desejos e partilho aqui o diálogo impossível…

  • O futuro começa onde a língua cria lugar

    O futuro começa onde a língua cria lugar

    Há festivais que se limitam a ocupar uma data no calendário; outros, mais raros, mudam a respiração de uma cidade. Mesmo de uma grande, como é João Pessoa. O FliParaíba pertence a essa segunda família. Talvez porque tenha entendido que literatura não é apenas reunião de autores, mas um acontecimento simbólico — um pacto silencioso…

  • Se, uma vez, num festival, seis palavras ao acaso

    Se, uma vez, num festival, seis palavras ao acaso

    Há histórias que não começam num lugar, mas num vocábulo. Não têm personagens, têm respirações que se condensam numa única palavra — e essa palavra, quando dita, cria o corpo que a carrega. Eles viajam sem destino nenhum. Não por desorientação, mas por liberdade. O destino, para eles, seria uma espécie de muro — demasiado…

  • Se Deus nos chamar

    Se Deus nos chamar

    O céu desce devagar sobre os olhos.É um livro aberto em plena luz, Cada nuvem uma página em brancoarte que respira antes de nascer. Entre Lisboa e São Paulo. Coimbra suspende, Lá, aprendem que o futuro não se espera. Morrem. E entre as sílabas de um sábado e a árvore mais sozinha do mundo, quando…

  • Um ritmo que cura

    Um ritmo que cura

    Corre o homem,mas não foge.Corre para caber no mundosem perder o corpo. Entre palmeiras que vigiam o céue nuvens que escrevem presságios em azul,ele passa. Um risco vivo no mosaico da cidade. João Pessoa não corre por medo,corre por lucidez.Aqui, o mar é pulmão,o vento é um médico antigo,e as ruas ensinam respiração. Há outros…

  • Inteligência artificial. Quando a Europa hesita, quem lucra?

    Inteligência artificial. Quando a Europa hesita, quem lucra?

    A guerra da inteligência artificial não se vence apenas com algoritmos; vence-se com poder económico, infraestrutura e velocidade política. E, neste momento, enquanto a Europa afina parágrafos do AI Act, os Estados Unidos e a China avançam sem pedir licença. Não é coincidência: sempre que Bruxelas trava, alguém fora de Bruxelas acelera. A hesitação europeia…