O dia começou suave, como um respiro. Pombas e gente sonhavam com apenas ser. Até os autocarros chegavam sem ronco, rumurosos gatos de rodas.
O Porto parecia casa. A vida da gente chegava ao telefone com uma naturalidade simples. Quase tranquilidade. Ou mesmo.
A Ana ligou. A Ana gosta de mim e os anos passam por nós como se não contassem. Vemos a vida um do outro acontecer. E rimos.
O autocarro para Coimbra atrasou-se e mudou de cais. Mas tudo deu certo. Houve uma vez que perdi a mudança e cheguei tarde a ele. Desta vez nem chegou a ser metáfora porque recuperou o tempo no caminho.
No café do TIC, estrangeiros falavam entre eles. Quem servia e bebia o café. Se eu soubesse a língua deles poderia dizer — hindi, urdu ou bengali. Eles riam cumplices, mas acho que nunca se viram antes. Há infinita poesia que sempre nos será alheia
Saímos em tempo. Rolamos ao sol. O Flixbus verde revolucionou a rodovia. leva pessoas para todo o lado ao preço de uma bica. É o lado bom do algoritmo.
Eu ia para Coimbra. Contrariado. Porque nessa terra moram dor e amor. Memórias e futuros. O amor é a única coisa que interessa. Precisa ser absoluto e eu, nem sempre, consigo achar a outra face.
Chegamos no horário. Fui ter a reunião que temia. Eram pessoas doces. Senti uma certa paz. E, embora me emocione sempre ao falar disto, foi bom. Agora já sei o que vai acontecer.
Tudo acontece da maneira certa não é?

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