E2. ONDE ERRAMOS NA EDUCAÇÃO? AINDA PODEMOS ACERTAR?

Perguntas Sobre o Brasil
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E2. ONDE ERRAMOS NA EDUCAÇÃO? AINDA PODEMOS ACERTAR?
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“Perguntas sobre o Brasil” – DIÁLOGO 2

Onde erramos na educação? Ainda podemos acertar? As deficiências da educação fundamental estão entre os mais graves problemas do país. E tudo se tornou ainda mais difícil com a crise sanitária. Com Fernando José Almeida, docente da PUC-SP e Maria Alice (Neca) Setubal – Socióloga e Presidente do Conselho da Fundação Tide Setubal. Apresentação, Sabrina da Paixão, pesquisadora do Sesc/CPF e mediação, Naief Haddad, jornalista da Folha de São Paulo.

Nesta quarta-feira (28), às 16h, acontece a segunda mesa da série de debates Perguntas sobre o Brasil. Com transmissão online, o evento tem o mote “Onde erramos na educação? Ainda podemos acertar?”.

Para responder a questões como essas, foram convidados a socióloga Neca Setubal, presidente da Fundação Tide Setubal, e o filósofo e pedagogo Fernando José de Almeida, professor do curso de pós-graduação da PUC-SP e ex-secretário de Educação da cidade de São Paulo.

A mediação fica a cargo de Naief Haddad, repórter especial da Folha.

Tendo como base o projeto 200 Anos, 200 Livros, a série vai debater aspectos sociais, culturais e econômicos do país até maio de 2023. A iniciativa é promovida pelo Centro de Pesquisa e Formação (CPF) do Sesc São Paulo, pela Associação Portugal Brasil 200 anos (APBRA) e pela Folha.

Almeida indica dois erros graves que o país cometeu em relação aos seus processos educacionais. Para ele, a demora para implantar uma escola de acesso universal e a ausência de um currículo que represente um projeto de nação foram equívocos que repercutem ainda hoje.

“Foram cinco séculos para poder colocar todo mundo dentro de uma escola”, afirma o professor. Foi só com a Constituição de 1988 que a educação se firmou, segundo ele, como um direito de todos, ainda que alguns avanços remontem aos governos de Getúlio Vargas.

“Enquanto outros países universalizaram o ensino médio na década de 1970, nós ainda estávamos muito longe de universalizar o fundamental no início dos anos 1990”, diz Neca Setubal. “O nosso buraco estava muito embaixo.”

Quando se volta mais no tempo, nota-se como a evolução tímida da educação ampliou a distância entre a elite brasileira e os mais pobres. Em 1900, por exemplo, apenas 10% das crianças e adolescentes de 5 a 14 anos estavam nas escolas, de acordo com estimativas do livro “Growing Public”, de Peter Lindert.

Numa linha de raciocínio que pretende apresentar com mais profundidade no debate, Almeida aponta que não se trata apenas de uma “mudança incremental” a fim de aumentar a oferta de matrículas.

“É preciso fazer projetos que mexam com políticas propositivas e que furem a lógica do gradualismo. Estabelecer a escola para todos é um nível de qualidade social, mas não adianta ser para todos e o currículo ser só para um grupo”, afirma o pedagogo.

De acordo com Setubal, um entrave político compromete a qualidade da educação: o tempo para aprimoramento do ensino não é o mesmo de um mandato. “É preciso investir em formação de professores, em buscar novos materiais… Há uma série de elementos que não são visíveis no curtíssimo prazo.”

A socióloga vê o acesso ao conhecimento como uma ação libertadora e “a cultura como um elemento fundamental na participação dos indivíduos”.

Os eventos seguintes serão realizados duas vezes a cada mês —a exceção é janeiro de 2023, com um só debate. Discutirão temas como literatura indígena, feminismo, lusofonia e futebol.

As conversas também vão destacar a contribuição de autores como Machado de Assis e Carolina Maria de Jesus. Veja a programação completa.

Confira o debate que abriu a série Perguntas sobre o Brasil, ocorrido em 14 se setembro.


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