E3. O QUE EXPLICA O AVANÇO DA LITERATURA ÍNDIGENA?

Perguntas Sobre o Brasil
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E3. O QUE EXPLICA O AVANÇO DA LITERATURA ÍNDIGENA?
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“Perguntas sobre o Brasil” – DIÁLOGO 3

Os autores Eliane Potiguara e Kaká Werá são os convidados do debate organizado pelo Sesc-SP, pela Associação Portugal Brasil 200 anos e pela Folha de S. Paulo

Centro de Pesquisa e Formação (CPF) do Sesc São Paulo, a Associação Portugal Brasil 200 anos (APBRA) e a Folha promovem mais um debate do ciclo Perguntas sobre o Brasil nesta quinta (13), às 16h.

Apresentada de forma online, a terceira mesa da série tem o seguinte mote: o que explica o avanço da literatura indígena nos últimos anos? Os convidados são os autores Eliane Potiguara e Kaká Werá, e a mediação fica a cargo da cientista social Tatiana Amaral, do Sesc.

O ciclo se inspira no projeto 200 anos, 200 livros, lançado em maio deste ano, que reuniu duas centenas de obras importantes para entender o Brasil, a partir da indicação de 169 intelectuais da língua portuguesa.

Na lista, “A Queda do Céu”, obra do líder yanomami Davi Kopenawa e do etnólogo Bruce Albert, divide o segundo lugar dos mais indicados com o clássico “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa.

Outros livros de autores indígenas compõem a lista final, como “Ideias para Adiar o Fim do Mundo” e “A Vida Não É Útil”, ambos de Ailton Krenak, e “Metade Cara, Metade Máscara”, de Eliane Potiguara.

“Escritoras e escritores indígenas escrevem e contam, verdadeiramente, sobre o contexto da comunidade”, diz a escritora e professora Eliane Potiguara. Para ela, o avanço citado no título do debate está associado à necessidade de comunicação e visibilidade dos povos indígenas, “de tornar-se protagonista e tomar a nossa história nas nossas mãos”.

Quem a acompanha na discussão é o professor, escritor e empreendedor social Kaká Werá, autor de “A Terra dos Mil Povos”, obra também indicada entre os 200 livros da lista.

“Até o final dos anos 1980, não existia o que se pode chamar de uma literatura escrita por autores indígenas”, lembra Werá.

Ele chama a atenção para três obras que foram importantes a partir da década de 1990 para incentivar outros indígenas a se expressar por meio da escrita. São elas: “Todas as Vezes que Dissemos Adeus” (1994), de sua própria autoria, “Histórias de Índio” (1996), de Daniel Munduruku, e a já citada “Metade Cara, Metade Máscara” (2004).

“O que explica esse avanço é um movimento nosso de fomento e continuidade, com o apoio de algumas instituições e de alguns parceiros estratégicos”, afirma Werá.

Desde então, outros autores indígenas despontaram no cenário nacional, como Graça Graúna, Márcia Wayna Kambeba, Julie Dorrico e Olívio Jekupé. Ainda que cada obra tenha suas particularidades, há pontos em comum. É visível, por exemplo, a preocupação em compartilhar culturas e experiências a partir da ótica de quem as vive, assim como é recorrente a defesa do meio ambiente.

“Meu trabalho é todo voltado para a educação”, diz Eliane Potiguara.

Segundo Kaká Werá, foi graças à literatura indígena, especialmente a infanto-juvenil, que as escolas brasileiras passaram a considerar de modo mais evidente a presença indígena na história do Brasil.

A terceira mesa do ciclo Perguntas sobre o Brasil terá transmissão pelo canais do Sesc São Paulo, do Diário de Coimbra e da APBRA no Youtube.

O ciclo, que ocorre a cada duas semanas, tem eventos programados até maio de 2023, com discussões que vão abordar aspectos sociais, culturais e econômicos do país. Veja a programação completa.

Confira ainda o debate que abriu o ciclo em setembro, com uma apresentação geral dos temas, e a segunda edição do evento, que discutiu discutiu os erros e acertos no campo da educação

Mesas futuras vão falar sobre feminismo, lusofonia e autoritarismo, entre outros assuntos.


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