A estabilidade como álibi — ilustração editorial JMD®

A estabilidade como álibi

Giorgia Meloni tornou a direita radical administrativamente normal. O preço da sua longevidade pode ser uma Itália estável demais para mudar.

Em Bari, diante dos militantes do Irmãos de Itália, Giorgia Meloni celebrou 1.413 dias consecutivos no poder. Num país que atravessou 68 governos em 80 anos de República, a marca supera o recorde de um único gabinete de Silvio Berlusconi e permite à primeira-ministra apresentar a duração como obra: “A estabilidade é a primeira grande reforma que entregámos à nação.” A frase converte o calendário em programa e a permanência em resultado.

Giorgia Meloni fez a Itália parecer governável. Se a estabilidade não produzir mobilidade, salários, serviços e futuro, a sua construção mais duradoura terá sido outra: ensinar à Europa que a normalização também pode ser uma forma silenciosa de radicalização.


Receber mais histórias de lá e de cá

insere o teu e-mail e carrega no botão “Subscrever”


Comentários

Uma resposta a “A estabilidade como álibi”

  1. […] lição ultrapassa a Alemanha. As democracias liberais sabem identificar partidos extremistas, mas perderam capacidade para criar v…. O Estado produz relatórios; o populista oferece uma mesa, uma história e reconhecimento. […]

Tem opinião sobre isto?

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.