Autor: JM-Diogo

  • A poesia não mora no Olimpo

    A poesia não mora no Olimpo

    A frase atingiu-me como uma profecia. Como se já estivesse escrita antes, desmontando a velha ilusão de que a poesia habita um território reservado aos escolhidos. “A poesia é prática cotidiana, não é um refúgio de sábios.” Lucas Guimarães Ela não mora no Olimpo, mas na esquina de uma rua qualquer, na espera do ônibus,…

  • Todas mulheres

    Todas mulheres

    Quando seis mulheres disputam um cargo até agora monopolizado por homens, o que se move não é apenas a máquina partidária, mas um fio longo da história: o esforço repetido das mulheres para existir em pé de igualdade. O Labour, que nasceu das lutas operárias, sempre se orgulhou de estar à frente em causas sociais.…

  • Linhas que o algoritmo não pode cruzar

    Linhas que o algoritmo não pode cruzar

    Delegar decisões discricionárias a máquinas rompe o contrato democrático. O entusiasmo com a eficiência algorítmica esquece que nem toda decisão pública é simples aplicação de regra. Há escolhas que exigem prudência, sentido de justiça e responsabilidade pessoal. Quando a Administração transforma ponderação de valores em cálculo opaco, comete uma ciberdelegação de poder: a vontade do…

  • Ouro em alta. Democracia em risco?

    Ouro em alta. Democracia em risco?

    O que está em jogo não é o preço do ouro, mas a independência do Federal Reserve diante do ataque de Trump — e com ela, a confiança na própria democracia americana.” O ouro não sobe por magia. Sobe quando o medo vence a confiança, quando a política ameaça as regras do jogo e o…

  • A obsessão dos 2%

    A obsessão dos 2%

    A inflação da zona do euro pode não ser um problema de números, mas sim de escolhas políticas sob um manto de neutralidade técnica. A ideia de que a inflação deve girar em torno de 2% tornou-se um dogma europeu. Bancos centrais, analistas e ministros da economia repetem essa meta como se fosse uma lei…

  • A promessa do horizonte

    A promessa do horizonte

    Invoco as águas que conhecem o nome dos desaparecidos, os ventos que falam com os mastros e a luz que escreve mapas sobre o dorso do mar. Que me emprestem a sua voz para contar a história de Lísia, filha de dois oceanos: o Atlântico que a fez nascer em marés grandes e o Mediterrâneo…

  • O momento do amor é o momento em que a guerra para

    O momento do amor é o momento em que a guerra para

    No centro uma alma destruída. Na sala o ar cheirava a ferro e a negro. As paredes estavam furadas de balas, as janelas partidas deixavam entrar o vento frio que carregava o pó das casas derrubadas. E, ainda assim, havia música. Não música real, mas uma música subterrânea, que surgia quando dois corpos se aproximavam…

  • A varanda das bandeiras

    A varanda das bandeiras

    Há uma casa simples numa rua inclinada de subúrbio. O reboco gasto, o muro manchado, a varanda estreita. E, balançando no vento, três bandeiras: Brasil, Estados Unidos e Israel. Na legenda da foto, o sarcasmo: “A mansão do pobre de direita!”. A imagem é poderosa porque condensa uma contradição: a distância entre a aspiração política…

  • Manifesto do Amor que Resiste

    Manifesto do Amor que Resiste

    Hoje, o primeiro Dia dos Pais sem o meu pai, Manuel, o mundo amanheceu com um silêncio diferente. É um silêncio que não é vazio — é feito de memória, de gestos que ainda ecoam, de conselhos que continuam a trabalhar dentro de mim como se o tempo não tivesse passado. No lugar onde ele…