Autor: JM-Diogo

  • Fogo santo

    Na penumbra que antecede a noite, o sol em seu leito se deita, céu e terra em cores de açoite, num crepúsculo que a alma aceita. Araucárias, sentinelas do crepúsculo, silhuetas contra o brilho morrente, guardiões de um instante maiúsculo, onde o dia se despede lentamente. Vermelhos, laranjas e amarelos, se entrelaçam em um balé…

  • Novíssima canção de exilio

    Novíssima canção de exilio

    No momento em que se pronunciou o veredito da minha obsolescência, foi como se um novo capítulo se iniciasse em minha vida. Ali estava eu, recém-saído de mediar um debate entre mentes brilhantes, confrontado com a minha própria alienação. O tema era o racismo, um mal que nunca me tocou diretamente, mas cujas chagas sociais…

  • Casa de Drummond

    Casa de Drummond

    A casa breve de Carlos Drummond de Andrade, pintada de fresco de azul e branco, encimava a rua principal de Itabira, deixando a igreja matriz, ajoelhada à sua esquerda, propriamente rebaixada na hierarquia das vivências locais como uma pedra em um  caminho. Carlos era ainda um menino sem apelidos e memórias, da mesma forma que…

  • Obrigado, Danilo Miranda

    Obrigado, Danilo Miranda

    Na dor sempre procuramos sínteses, elas nos ajudam a encarar o luto e a seguir em frente. Hoje o professor Danilo Santos de Miranda diretor do SESC São Paulo morreu. O mundo está muito mais pobre. Dói. No passado 14 de julho, Danilo Miranda, visitou em Portugal, enérgico e feliz, a nossa Casa da cidadania…

  • Inverno que vem

    Entre o brilho das estrelas e o silêncio da noite,balançamos de novo na corda do destino,Em mãos, o poder de incendiar o mundo,Escolhas ecoam no abismo infinito. “Não despertem o dragão adormecido da guerra”,Gritam as vozes do passado, ecos de dor e desespero,Lembrem-se das lágrimas derramadas, dos corações partidos,Das cinzas de Hiroshima, dos campos de…

  • A(maze)d

    A(maze)d

    Eu não sou nada, mas, mas, mas, maistenho em mim todos os sonhos do mundo. E em cada margem de oceano Há um grito onde te encontro. Cruzei fronteiras, ergui bandeiras, Na casa (da cidadania da língua) me refugiei. No meu peito, o Brasil e Portugal, Unidos em versos que jamais direi. Nós somos dois,…

  • Domingo há noite

    Domingo há noite

    Estou aqui, olhando para baixo, mas não é o chão que vejo. É como se, ao olhar para esse pequeno espaço abaixo dos meus pés, eu pudesse, de alguma forma, vislumbrar todo o cosmos e as possibilidades que o amanhã pode trazer. Há uma quietude nesse momento, uma espécie de silêncio que não é ausência…

  • Babylon tem sky

    Babylon tem sky

    Em São Paulo a noite caía, ’neath city lights que reluziam. Zeca, da padaria apelidado, parou para ouvir da música que do bar emanava, doux et fort, melodia e acord. Torpedo from Zeca chegou, “Let’s talk about Babylon, mon ami. Quero te contar uma révision.” Intrigué e sempre en quête de sagesse, tomei meu expresso…

  • Manifesto Cidadania

    Manifesto Cidadania

    Coimbra, neste outubro, é o berço de um apelo: tornar a língua portuguesa uma cidadã global, inclusiva e plural.