Autor: JM-Diogo

  • Sete noites, sete nomes

    Sete noites, sete nomes

    Sete noites cabem num corpo como sete nomes não ditos. A pessoa chega com uma mala pequena, um espelho de bolso, dois frascos de perfume — um cítrico, outro amadeirado — e a certeza inédita de que, pela primeira vez, vai dormir uma semana inteira na mesma cama. O colchão range como um barco amarrado.…

  • Quando a morte deixa de ser humana

    Quando a morte deixa de ser humana

    A questão que ninguém ousou levantar no funeral de Charlie Kirk é simples: como pode uma sociedade procurar identidade política no lugar onde só deveria existir interpretação humanística? A cerimônia em Phoenix, com Donald Trump abraçado pela viúva em lágrimas, converteu a dor privada em espetáculo coletivo. O estádio lotado, as camisetas com slogans e…

  • O tempo cabe dentro de uma vida

    O tempo cabe dentro de uma vida

    Quando quando a Avó Raymunda atravessa mais de um século sem perder a ternura, ela não é apenas memória viva: é lição de futuro. O Brasil, país jovem que envelhece rápido, tem diante de si a missão de aprender com suas Vós Raymundas — não para admirar de longe, mas para transformar em política pública…

  • A poesia não mora no Olimpo

    A poesia não mora no Olimpo

    A frase atingiu-me como uma profecia. Como se já estivesse escrita antes, desmontando a velha ilusão de que a poesia habita um território reservado aos escolhidos. “A poesia é prática cotidiana, não é um refúgio de sábios.” Lucas Guimarães Ela não mora no Olimpo, mas na esquina de uma rua qualquer, na espera do ônibus,…

  • Todas mulheres

    Todas mulheres

    Quando seis mulheres disputam um cargo até agora monopolizado por homens, o que se move não é apenas a máquina partidária, mas um fio longo da história: o esforço repetido das mulheres para existir em pé de igualdade. O Labour, que nasceu das lutas operárias, sempre se orgulhou de estar à frente em causas sociais.…

  • Linhas que o algoritmo não pode cruzar

    Linhas que o algoritmo não pode cruzar

    Delegar decisões discricionárias a máquinas rompe o contrato democrático. O entusiasmo com a eficiência algorítmica esquece que nem toda decisão pública é simples aplicação de regra. Há escolhas que exigem prudência, sentido de justiça e responsabilidade pessoal. Quando a Administração transforma ponderação de valores em cálculo opaco, comete uma ciberdelegação de poder: a vontade do…

  • Ouro em alta. Democracia em risco?

    Ouro em alta. Democracia em risco?

    O que está em jogo não é o preço do ouro, mas a independência do Federal Reserve diante do ataque de Trump — e com ela, a confiança na própria democracia americana.” O ouro não sobe por magia. Sobe quando o medo vence a confiança, quando a política ameaça as regras do jogo e o…

  • A obsessão dos 2%

    A obsessão dos 2%

    A inflação da zona do euro pode não ser um problema de números, mas sim de escolhas políticas sob um manto de neutralidade técnica. A ideia de que a inflação deve girar em torno de 2% tornou-se um dogma europeu. Bancos centrais, analistas e ministros da economia repetem essa meta como se fosse uma lei…

  • A promessa do horizonte

    A promessa do horizonte

    Invoco as águas que conhecem o nome dos desaparecidos, os ventos que falam com os mastros e a luz que escreve mapas sobre o dorso do mar. Que me emprestem a sua voz para contar a história de Lísia, filha de dois oceanos: o Atlântico que a fez nascer em marés grandes e o Mediterrâneo…